CONARH ABRH 2014 # 5 – 20/08

Este dia começou com o tema RELAÇÕES DE CONFIANÇA, apresentando a história de vida de dois aventureiros brasileiros, de tirar o fôlego e que u não conhecia: Karina Oliani, Presidente Sócia-Fundadora da entidade Medicina da aventura e Júlio Fiadi – Empresário e Explorador.Particularmente, tenho admiração por pessoas que se desafiam física e intelectualmente, investindo tempo de estudo, treinamento, planejamento e preparação. Karina (karinaoliani.com.br) é uma aventureira de mil esportes e interesses (medicina, resgate aéreo, televisão, esportes de aventura, família). É a mulher mais jovem da história a subir o Everest, o que lhe exigiu extensa preparação, treinamento, ação, busca de patrocínio, formação de equipe. Precisou exercitar a confiança em sua capacidade de preparação e mobilização de pessoas. Todos tem medo e podem aprender a controlá-lo. Ter coragem é não abrir mão de seus valores: quando estava subindo o Everest, parou para atender um escalador que estava agonizante, comprometendo seu objetivo, pois em primeiro lugar é médica e de sua atenção dependia a vida de outro ser humano. Julio é empresário e já estava com a vida ganha quando andou 1.200 km na Antártida, carregando um trenó de 130ckg e sozinho! Inspirou-se no explorador polar Ernest Shackleton que liderava pelo exemplo e tinha como prioridade a segurança de seus liderados. “Um homem precisa se voltar para um novo  alvo, assim que um antigo vai ao chão” (E. Schakleton). Com este pensamento, o bravo explorador, conduziu sua equipe em árduas condições até o resgate sem que houvesse qualquer baixa! Para Júlio, é só tentando o impossível, que se conhece os limites do possível. Ele também chegou à mesma ilha que Schakleton em uma de suas viagens com Amyr Klink. Uma atmosfera de confiança é construída com transparência e treinamento. Estes foram os fatores fundamentais para sua sobrevivência em todas as suas viagens polares. Admite que é muito medroso e por isso destrói os obstáculos que causam medo a custa de preparação e antecipação de problemas que compartilha com toda a sua equipe para que possam preparar a solução para futuros problemas.

Na sequência, assisti a uma palestra que me deixou assustada com os dados apresentados sobre a educação no Brasil. EDUCAÇÃO E PRODUTIVIDADE: UM OLHAR ALÉM, trouxe o olhar de Rafael Lucchesi Diretor de Educação e tecnologia da CNI e Ana Maria Diniz – Diretora do Instituto Península e Conselheira do Todos pela Educação http://www.todospelaeducacao.org.br/ . Uma coisa é ouvir dizer que a educação vai mal, outra é ver tanto números ruins e pensar para onde estamos indo, ou melhor, aonde nosso país chegou ou aonde não chegou! Ana Maria atua no movimento Todos pela Educação, criado em 2006 por empresários, visando melhorar a qualidade da educação brasileira. Hoje há quantidade (acesso à escola), mas a qualidade da educação está muito aquém do necessário, que dirá do desejado. 19,65 % dos jovens não estudam nem trabalham. O país tem 27% de analfabetos funcionais.

O movimento tem 5 metas que deseja ver realizadas até 2022 (bicentenário da Independência do Brasil):

1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola

2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos

3. Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano

4. Todo jovem de 19 anos com Ensino Médio concluído

5. Investimento em Educação ampliado e bem gerido

 

O que pode ser feito? Criar consciência na sociedade e na mídia.

 

Rafael acredita que o copo não está mais vazio e nem mais cheio, pois qualquer destas visões gera imobilidade. É preciso entender  que a agenda da educação brasileira está pela metade e há muito a fazer. Estamos nas piores posições do índice global de competitividade: 56% lugar dentre 148 países, perdendo  posições em relação a 2012/2013 (48% lugar).  A nova classe média quer cidadania e quer brilhar, mas também quer qualidade. A situação econômica não é boa, a produtividade é baixa, a indústria está derretendo! A agenda de educação não pode estar sujeita à dinâmica econômica que tem ciclos menores. A elevação dos salários deve estar atrelada ao aumento de produtividade que é obtido com educação de qualidade.

5 trabalhadores no Brasil = 1 trabalhador nos Estados Unidos (em produtividade)

4 trabalhadores no Brasil = 1 trabalhador na Alemanha (em produtividade)

3 trabalhadores no Brasil = 1 trabalhador na Coréia do Sul (em produtividade)

Empresários brasileiros apontam a educação como principal fator para a competitividade, pela primeira vez  de acordo com pesquisa da CNI.

Competitividade: capacidade criativa e agregação de valor aos produtos e serviços.

No Brasil de hoje:

– Educação do século XIX

– Professores do século XX

– Alunos do século XXI

A educação profissional ainda é uma escolha de poucos; é opção de apenas 6¢ dos jovens com até 25 anos. Nos países desenvolvido sistema políticos a média é de 50%.

Convivemos com um modelo academicista que não dialoga com as necessidades da juventude e nem das organizações. É necessário melhorar as condições para que a escola possa entregar melhores resultados! É preciso profissionalizar a gestão da educação pública, quebrando o circulo vicioso do sistema político que indica gestores para a educação com base em critérios não técnicos. Porem, os próprios professores que querem ser reconhecidos, fazem greve contra o regime de mérito. A quem serve a escola? À população ou a quem nela trabalha?  A escola e o servidor público devem servir às necessidades da sociedade. É preciso medir os resultados de aprendizagem dos alunos e até premiar os professores! Estabelecer lógica de melhores práticas na educação pública para que isso transborde para todas as escolas do país, para reduzir a disparidade da educação. É necessário discutir a educação para além da matrícula. Discutir a escola e a qualidade da educação. Capacitar crianças e jovens para participar da Era do Conhecimento. Educar melhor em larga escala e a baixo custo. Adaptar o  sistema educacional à mudança demográfica (o Brasil é o primeiro país com envelhecimento e renda per capita baixa). Saí assustada e sem saber o que fazer para ajudar a mudar esta situação que ai nesta não a troco de nada, certamente…..

Meio sem saber o que esperar do Professor Sigmar Malvezzi, da Fundação Dom Cabral, fui assistir à AUTONOMIA E INSTRUMENTALIDADE NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL. Ele começou dizendo que deixaria os prolegôminos de lado para entrar logo no tema. Gostei! Pensei: certamente é um doutor que acha que não precisa ficar se auto elogiando para dar peso ao seu discurso. Gostei e acertei. Olhem o currículo modesto dele: https://uspdigital.usp.br/tycho/CurriculoLattesMostrar?codpub=27A0B7EEDB12. Calibrei as antenas para ouvir que a evolução do século XXI é muito acima da nossa capacidade de preparação e ajustes de nossas competências. Individualmente tendemos a fracassar.  Capacidade e competência são fenômenos estratégicos nos espaços individual e social e estão sendo corroídas por duas ideologias perigosas: a de resultados e a da inovação. Tudo hoje está articulado para produzir resultado, independente dos processos, com grande pressão. Ivan Illich: a busca de resultados gera efeito contrário, contra produtivo. Valoriza-se mais o novo, mesmo que o se tem já seja bom! O desenvolvimento profissional demanda cuidadosa gestão individual e generosa gestão institucional (empresa e governo), ambas viabilizadas apenas por significativos investimentos. Fiquei embevecida com o conteúdo e certa de que preciso ler seus artigos e os autores recomendados por ele!

 

2 Respostas para “CONARH ABRH 2014 # 5 – 20/08

  1. Dê, muito bacana as publicações sobre o CONARH e os temas debatidos! Já bebi um pouquinho da fonte!!!
    Bjss

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