R-A-C-I-S-M-O

Palavra de poucas letras, cuja tradução provoca dor, tristeza, ódio ou superação. Só quem já passou por isso, seja de que raça for, sabe o seu real significado. Perdi meu tempo assistindo à mais uma pisada de bola do Esporte Espetacular na entrevista com o Tinga. E me enchi de raiva e indignação!

Desde quando ser filho de faxineira e  não ter pai é motivo suficiente para não se praticar racismo contra um negro? Racismo não deve ser praticado contra ninguém, independente de sua origem ou das dificuldades pelas quais passou na vida!

Eu sou filha de faxineira e de pedreiro (que morreu quando eu era pequena), já fui babá, trabalhei em balcão de padaria e de farmácia, por pouco não passei fome e sigo em frente, ESTUDANDO, SENDO HONESTA e CORRENDO ATRÁS DE UMA VIDA MELHOR. Tudo bem eu poderia estar matando roubando ou pedindo esmola na sinaleira: #soquenao! Se sofri preconceito? Com certeza: por ser negra, por não ser tão negra, por ser pobre, por ser jovem, por ser velha, por ser inteligente, por ter estudado em escola particular com bolsa e andar de sapato furado, por ter um carro, por ter casado com um descendente de italiano loiro, por ter me separado (graças a Deus!), por continuar solteira, por não ter filhos, por ser mulher, por ser independente, por ser sincera, por estar gorda, por estar magra, por acreditar sinceramente em extraterrestres, por ser perua e loira, por ser linda e modesta (rsrsrsr), por ser feliz…… e sabe lá quantos mais ainda sofrerei até o fim da vida. Tirando o racismo, acredito que os brancos também passem pelos mesmos tipos de preconceito.

Se a entrevista não tivesse o Régis e seus jargões ridículos, até teria valido a pena, pois o Tinga sofreu preconceito também no Brasil, aqui mesmo no Rio Grande do Sul. Pelo menos, o Tinga foi lúcido ao dizer que sabe que só é aceito em determinados lugares porque é jogador de futebol, tem dinheiro, é famoso; que ainda sente o preconceito no olhar das pessoas quando aparece com sua mulher loira (companheira dos tempos de pobreza) em lugares públicos. Não tenho medo de errar ao dizer que os brancos que hoje pedem seu autógrafo “em solidariedade” não permitiriam que suas filhas brancas casassem com um negro, a menos que fosse rico. Aliás, riqueza é um atributo que branqueia pessoas, né? Nos dias atuais é politicamente correto ser solidário com os injustiçados, com os assassinos, com os corruptos e contra os preconceituosos. Ah, me poupem de tanta hipocrisia!

O que importa mesmo é ser de qualquer cor e viver a sua vida, sem se suicidar a cada vez que puxarem o nosso tapete persa!

(agora vou ali vomitar a raiva)

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