Você teria pra onde ir?

Você acorda e vê que a realidade que negava se concretizou. A polícia está batendo na sua porta e te mandando desocupar sua casa por conta de reintegração de posse do terreno onde ela está. Ok, você foi morar ali sabendo que aquilo era terreno invadido. Ok, mesmo sendo o terreno invadido havia uma mínima infra disponibilizada pelo poder público (legitimando a ocupação) para que a sua comunidade pudesse habitar com um mínimo de respeito. Mas hoje não tem mais o que fazer: você vai ter que sair da sua casa levando apenas a roupa do corpo. Não sei por que só agora a justiça do estado de São Paulo decidiu que os bens de Naji Nahas (corrupto e ladrão de muuuuuuito dinheiro, porém, absolvido) precisavam ser retomados. A pergunta que fica é porque não retiraram as pessoas com um mínimo de dignidade, ajudando-as a retirar seus pertences e colocando-as num lugar decente para viverem? Certamente, elas só foram morar numa invasão porque não tinham condições de morar num lugar melhor. Seria bacana que os juízes fossem primeiro fazer um “estágio” na vida destas pessoas, bem mais decentes que o dono do terreno, e só depois decidissem como “removê-las”.  Os milhares de policiais que foram deslocados para levar a cabo a desocupação poderiam ter sido usados antes para que o verdadeiro criminoso não cometesses os crimes que cometeu. Aliás, foram deslocados mais policiais para esta operação do que para a ocupação das favelas cariocas que eram dominadas pelo tráfico de drogas. Não conheço a comunidade do Pinheirinho, mas algo me diz que foi cometida uma grande injustiça.

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